E se parte da energia eólica e solar que hoje é desperdiçada pudesse ser armazenada em cavernas subterrâneas e devolvida à rede horas depois?
Essa é a proposta do CAES — Compressed Air Energy Storage.
A ideia é relativamente simples: usar eletricidade excedente para comprimir ar, armazená-lo em alta pressão e, quando a energia for necessária, expandi-lo em turboexpansores para voltar a gerar eletricidade.
Mas o CAES moderno vai muito além disso.
As novas arquiteturas adiabáticas recuperam o calor produzido durante a compressão, armazenam essa energia térmica e a reutilizam durante a expansão. O resultado são sistemas de armazenamento de longa duração, sem necessidade de combustão e com plantas que já atingem centenas de megawatts e vários GWh.
Huntorf, na Alemanha, mostrou em 1978 que o conceito funcionava. Hoje, novas instalações na China já levam o CAES à faixa de 300–600 MW, enquanto projetos nos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido buscam armazenamentos de 8, 10, 30 horas ou mais.
E o Brasil?
Temos geração eólica e solar crescente, restrições de transmissão, episódios de curtailment, experiência em engenharia subterrânea e formações geológicas que podem ser interessantes para armazenamento. Também já existem pesquisas brasileiras, protótipos laboratoriais e iniciativas voltadas ao uso de cavernas salinas.
Talvez, portanto, a pergunta não seja apenas se o CAES pode funcionar no Brasil, mas:
onde, em que escala e com qual arquitetura ele faria sentido?
